11.10.07

6 meses!

Ontem fiz 6 meses de Lisboa! As coisas na faculdade ja estão dando trabalho.

Ontem tambem fui a primeira sessão desse ano letivo do International Café, trata-se de uma série de encontros periódicos dos alunos estrangeiros da faculdade. Engraçado a mistura, servi até de interprete pra uma pequena conversa entre uma dinamarquesa falando em ingles e uma espanhola falando portunhol, que na verdade chama galego!

Descobri o nome 'oficial' do portunhol esses dias conversando com uma colega de turma da galícia. Perguntei se ela ja havia feito um curso de portugues ja que conseguia entender bem o que ela falava, a resposta foi: «non non, estoi a falar galego!»

O blog anda meio abandonado pois estou gastando mais tempo com o flick.

Hoje é aniversário da morte do Fernando Sabino, vai uma cronica dele:

A ÚLTIMA CRÔNICA

Fernando Sabino

"A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: "assim eu quereria o meu último poema". Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.

Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.

Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho - um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular. A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.

São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: "Parabéns pra você, parabéns pra você..." Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura - ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido - vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.

Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso."

20.9.07

Sem titulo hoje

Essa semana foram as incrições dos 'caloiros' e a malta toda trajada doida pra praxa-los. Traduzindo: foi a semana das inscrições dos bixos e boa parte dos veteranos foi pra faculdade vestindo uma roupa parecida com aquelas de Hogwarts pra dar o trote. Mas é um desperdício de diversão! Não cortam o cabelo, não tem farinha, não tem ovo e nem bixo sujo de lama eu vi. Me disseram que a diversão de verdade é semana que vem, mas já não vai haver o batismo na fonte luminosa que o pessoal anti-praxe anda pegando pesado =(

Taí a fonte nas fotos tortas




Fica numa ponta dum parque em frente a entrada principal da faculdade
Faltou a cantina, fica atrás da torre sul. Talvez abra segunda. Estou com saudades da comida da cantina =(.
Enquanto isso vou inventando uns spaghettis com molhos doidos, risotos malucos e omeletes incrementados. Ficam superbons mas enche o saco cozinhar só pra mim e ter que lavar a louça depois.

Vou ver se consigo postar um monte de coisas que deveria ter postado mas quando to inspirado pra fazer isso não tenho internet e quando tenho internet falta inspiração.

Cortam minha rede wifi surrupiada que pegava em casa ja faz um tempinho mas agora ando pegando a rede da faculdade de vez em quando, vou ver se arrumouma antena boa na base do improviso pra pegar o sinal.

11.9.07

Começam as aulas!

Ontem foi o aniversário de 5 meses e 'começaram' as aulas novamente! Esse semestre devo fazer 4 cadeiras(talvez até cinco). Fui a aula de apresentação de três delas antes de fazer as inscrições. Pode mudar o país, mas pelo jeito sempre vai haver professores que sabem das coisas mas não servem pra dar aula e sempre vai haver professores que só cumprem tabela e sequer são capazes de preparar a apresentação da disciplina. É o fim! Ele não tem que dominar a ferramenta mas se é pra se atrapalhar é melhor nem mostrar, sei fazer umas coisas sofisticadas com o negócio mas aposto que quem nunca ouviu falar ficou na mesma. Além disso o bicho é enrolador, a cada 3 palavras, 2 são "ora bem"(com sotaque portugues =P)

O bom de ser aluno de intercâmbio é que se tem alguns privilégios. Pra fazer a inscrição é so preencher um papelzinho com o nome das disciplinas, levar pro responsável assinar e devolver no gabinete de intercâmbio ai a coisa toda vai direto pra secretaria e boa, tá inscrito. Não há problemas com matrícula, pré-requisitos nem nada(bom, ainda não tive!).

Esses dias o gabinete deve andar cheio com os estudantes de Erasmus que é o programa de intercâmbio europeu. Hoje mesmo quando saí de lá ajudei um italiano buona gente com o mapa de Lisboa, que ja foi item indispensável na mochila até me tocar (o Thiago que deu o toque na verdade) que em todas as paragens de autocarro (pontos de onibus) tem um mapa relativamente bom da cidade.

As aulas dos caloiros (os bixos!) não começaram, deve ser lá pro dia 20. Vamos ver como eles vão ser recebidos. Pelo que me disseram não é grande coisa, nem tem que cortar o cabelo! Parece que é só uma pinturinha meia boca, despedício de diversão =(

Semana passada fui ao casamento da Carol! Felicidades pra Carol&Bitú! =)

Tavam lá pessoas que ja não vejo há algum tempo. Queria colocar as fotos minhas com o pessoal todo, mas vai só a da minhas irmãs com a noiva. Ta complicado tirar as fotos da apresentação que minha irmã fez, se ela me mandar só as fotos eu posto.


A propósito parece que participei do último churrasco da minha turma da USP também mas não vi, só ouvi falar.